segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Papel em branco

Sou um papel em branco.
Amassado, um pouco gasto, apagado.
Mas em branco...

Continuo a espera de alguém,
Que possa me preencher,
Me aceitando do jeito que a vida me deixou...

Já fui escrito várias e várias vezes,
Mas cismaram em me apagar,
Deixando marcas, que não sei se vão sair,
Mas não passam de marcas passadas,
E continuo em branco.

Na verdade, acho que todos somos papéis.
Uns, preenchidos;
Outros, rasgados;
Alguns sendo escritos,
E vários como eu.

Um papel em branco,
Amassado, um pouco gasto, apagado.

Mas podemos nos preencher,
Reescrevendo em nós, a cada dia,
Um novo sentimento, uma nova história,
Um novo amor, uma nova vitória.

Nos tornando, juntos, um livro.
E preenchendo mais e mais papéis em branco,
Pois nada sou, além de um papel.
Um papel em branco.


Pamella Marietto

19/09/16

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